segunda-feira, 11 de junho de 2012

A História do GPP e os Seus Cinco Pilares

Algumas reuniões atrás fizemos uma formação sobre a história do GPP e seus cinco pilares. Quem deu essa formação foi a Nathália e postamos aqui um resumo feito por ela sobre a história do GPP e seus cinco pilares:

Nas últimas semanas, nós do GPP João Paulo II discutimos a partir dos textos-base de formação da CNP, os pilares dos Grupos de Partilha de Profissionais. O GPP é uma forma rica de expressão, formação, vivência e partilha dos Profissionais do Reino dentro do Ministério Universidades Renovadas. A expressão “Profissionais do Reino” nasceu nos primeiros GPP`s indicando um ideal almejado desde os tempos de GOU, o de serem homens e mulheres que exercem suas profissões e conduzem as suas vidas à luz do Evangelho e movidos pelo Espírito Santo, buscando o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar. Ser “Profissional do Reino” não é só pertencer à Igreja, é também ser Igreja. Deve-se salientar que o “Profissional do Reino” não é formado exclusivamente pelo MUR, pela RCC ou pela Igreja Católica. Este termo engloba todos os profissionais que testemunham o Evangelho em seus trabalhos, incluindo todos os trabalhadores e não apenas aqueles com formação universitária.

Os cinco pilares
  
1°. Comunidade acolhedora e fraterna
           No contexto bíblico, a palavra comunidade deriva da palavra igreja, citada pela primeira vez em Mt 16, 18: “Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la”. Eclésia (Igreja) significa uma reunião de pessoas que formam a comunidade do povo eleito, com a qual Jesus inaugurou a Nova Aliança. O próprio Jesus tinha a sua comunidade com os seus apóstolos. Deus é trino, não sozinho. Assim, também é desejo de Cristo que nós sejamos todos um, reunidos em comunidade.
            A comunidade deve ser um lugar de perdão, união e acolhimento e tem como missão despertar os talentos de cada membro. Assim o grupo deve avaliar as reuniões e a vida comunitária de modo. Além disso, é importante sempre relembrar e repetir a história do grupo nas reuniões do GPP. O reviver a história do GPP deve encorajar os membros em meio aos novos desafios a serem enfrentados.
            A acolhida é uma dimensão privilegiada dentro deste pilar. Assim os novos membros devem ser acolhidos como alguém que vai somar forças. Todos do grupo têm a missão de acolher, mas alguns membros devem assumir esse ministério de modo mais significativo. Com isso, pode ser feito um diagnóstico da acolhida a fim de se avaliar porque alguns membros deixaram o grupo e outros aspectos que concernem à este pilar da comunidade acolhedora e fraterna.
            A partilha é a dimensão da comunidade acolhedora e fraterna que fundamenta a nossa identidade de Grupo de Partilha de Profissionais. A partilha tem uma dimensão profética que deve englobar a edificação da minha vida e a do meu irmão, pois partilhamos para o crescimento mútuo; deve exortar a mim e ao meu próximo e nos consolar, pois quando abrimos o coração, o Senhor nos consola.
            Para que a partilha seja bem realizada é bom que se defina um tempo de qualidade para ela e deve-se atentar para que cada membro tenha tempos iguais para partilhar de forma que o grupo não se torne uma terapia. Outro importante aspecto a ser contemplado na partilha é a escolha de um tema para a mesma, o que nos permitirá conhecer um ao outro e a não cair na nossa zona de conforto, a qual é um terreno infértil para a partilha. O tema da partilha pode ter a ver com a formação, com a Palavra de Deus ou com a reunião anterior do grupo e pode ser suscitado por um membro ou coordenador do grupo. As dificuldades podem também ser partilhadas visando-se a cura do grupo, mas teve-se cuidar para não se partilhar apenas problemas. A partilha deve ser realizada em todas as reuniões do GPP em grupos de 8 a 12 pessoas, no máximo, para que todos possam partilhar.

 2°. Espiritualidade Pentecostal
            A espiritualidade cristã deve nos fazer perceber que o Reino de Deus já está dentro de cada ser humano. Dentro da Igreja Católica, há várias espiritualidades (franciscana, dominicana, agostiniana, benetidina, redentorista, marista, salesiana, vicentina, dentre outras) e cada um delas cumpre a seu modo a missão de evangelizar o mundo. Já a RCC manifesta a espitirualidade pentecostal como a sua forma de ajudar a construir a Civilização do Amor. A nossa espiritualidade fundamenta-se nos princípios cristãos testemunhados pela ação do Espírito Santo na história da humanidade e do cristianismo. Para se crescer na vivência desta espiritualidade deve-se buscar uma vida de oração (pessoal e comunitária) e a intercessão. Este pilar apresenta três dimensões:
a) espírito (consciência) comunitário: a vivência ampla e profunda do primeiro pilar é essencial para se crescer dentro da espiritualidade pentecostal. Sem uma vida comunitária não se pode experienciar Pentecostes. Jesus escolheu a Igreja como uma forma de participarmos do plano de salvação. Os discípulos eram testemunhas de Cristo e da sua Ressurreição, mas Tomé e os discípulos de Emaús que se afastaram um tempo de Jerusalém, só se tornaram testemunhas após voltarem a “caminhar juntos” com a comunidade de Jerusalém. Assim só se pode viver esta dimensão da espiritualidade pentecostal se constituirmos uma autêntica comunidade cristã (acolhedora e fraterna)
b) o dom da perseverança: Todos unidos (apóstolos, Maria e outras mulheres) perseveraram em oração até o derramamento do Espírito Santo. A perseveraça tem algumas características como ser unânime, ou seja, se concretiza através da união de todos em oração. A perseverança na oração tem três objetivos: o primeiro é nos preparar para a realização das promessas de Deus (Jesus, após a sua ascensão, fez os discípulos esperarem nove dias até o dia de Pentecostes, o que constituiu a primeira novena da história da Igreja). O segundo objetivo da oração é a perseverança pessoal, pois cada um que persevera na oração é importante (em At 1, 13, o apóstolo Lucas menciona nominalmente a presença de Maria e dos apóstolos no Cenáculo). Por fim, tem-se a perseverança comunitária como último objetivo da oração, pois a graça do Batismo no Espírito Santo não é exclusividade da primeira comunidade cristã, mas foi uma experiência que determinou o rumo da história de homens e mulheres e da própria humanidade. Nos vários concílios da história e, em especial, no Concílio  Vaticano II observou-se o sopro do Espírito Santo. O surgimento da RCC, após o Concílio  Vaticano II, mostra a providência divina, derramando um Novo Pentecostes até os nossos dias. Os grupos de oração são uma dimensão privilegiada para o Batismo no Espírito Santo, que é uma porta para os dons e carismas do Espírito Santo. O GPP deve contemplar a acolhida fraterna, a oração de louvor e perdão, o anúncio da Palavra, a Efusão do Espírito Santo, o silêncio orante para a manifestação de dons, a partilha sobre a oração e o envio para que todos os membros vivam um Pentecostes até o próximo encontro.
c) o compromisso com o Reino de Deus: A sequência de Pentecostes (At 2, 5-41) mostra que várias pessoas começaram a compreender a oração e a pregação dos discípulos após receberem o Batismo no Espírito Santo. A espiritualidade pentecostal nos capacita a falrmos “em outras línguas conforme o Espírito nos conceda” para anunciarmos o Evangelho na língua materna (com empatia) a cada um que o Senhor nos confiar. Assim, nosso compromisso é com a missão que o Senhor nos confia e para a qual o Espírito Santo nos capacita.

3°. Formação Integral
            Este pilar nos capacita na busca pela verdade que é suscitada pelo próprio Espírito Santo, após uma experiência querigmática e um encontro pessoal com Cristo. A formação integral é importante para o GPP, que deve ser um lugar para nos aprofundar no conhecimento da verdade. Quando se fala no termo formação integral, este engloba a formação espiritual, doutrinária e humana. Os aspectos deste pilar são:
a) formação vivencial: cada membro do GPP deve buscar ser coerente para que a formação se torne uma prática cotidiana em seus trabalhos e famílias.
b) formação permanente: o GPP nunca deve julgar que completou a sua formação, uma vez que nosso conhecimento é limitado e que o mundo é ávido por esperança.
c) formação planejada: o planejamento da formação é uma etapa fundamental para que se atinja objetivos e metas do grupo.
            Quanto ao conteúdo, a formação pode incluir:
·         a formação cristã: através da Palavra de Deus, do Magistério da Igreja e dos escritos de santos, do Catecismo da Igreja Católica, dos documentos papais, dos módulos de formação da RCC (módulos básicos, de serviço, etc, para enraizar a espiritualidade pentecostal no grupo e para que o GPP permaneça em unidade com os direcionamentos da RCC);
·         a formação humana: tratar de aspectos intrínsecos à natureza humana, como comportamentos e relacionamentos através de livros e do módulo de formação humana da RCC, visando a cura interior;
·         conhecimentos gerais: estudar ciências como a psicologia, a antropologia, a filosofia, cursos da área de saúde e a própria economia para se entender os fenômenos sociais, como a pobreza. Deste modo, teremos condições para nos mover como cristãos e tentar solucionar estes problemas.
            Cada GPP deve ter um ou mais membros responsáveis pela formação, de modo a se estabelecer um plano de formação que esteja em unidade com a CNP, o MUR, a RCC e toda a Igreja.

4°. Diálogo: construindo pontes
            Antes do Concílio Vaticano II, com a Idade Média e a Inquisição, observou-se um afastamento da Igreja da sociedade, o que acarretou em um distanciamento do homem em relação à Deus. Após este concílio, o diálogo com o mundo moderno se tornou uma dimensão prioritária na Igreja, de modo que o leigo adquiriu um papel de destaque. Os “Profissionais do Reino” são uma  resposta profética às decisões do concílio, quando nos colocamos como profissionais que colaboram na construção da Civilização do Amor.
            O MUR nasceu como uma resposta aos apelos do Papa João Paulo II, em sua encíclica “Fides et Ratio”, quanto à importância do diálogo entre os mundos da razão e o da fé. Assim, o diálogo está intrinsecamente ligado à história e à vocação do MUR. O GPP, como parte do MUR, deve se esforçar em viver o pilar do diálogo, que tem as seguintes dimensões:
·         Diálogo dentro do próprio GPP
·         Diálogo com o MUR e os GOU`s
·         Diálogo com a RCC
·         Diálogo com a Igreja Católica
·         Diálogo ecumênico
A proposta é que os GPP`s, os GOU`s e todos os cristãos vivam o diálogo em sua amplitude, como uma resposta à oração de Jesus ao Pai no Evangelho de São João, Jo 17, 11: “Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me destes, para que eles sejam um, como nós somos um”.

5°. Ação na sociedade
            O encontro com Cristo deve nos levar a questionar e a nos inquietar diante às situações sociais injustas com as quais nos deparamos. O Pai nos amou primeiro e este amor gratuito que ele manifesta a nós, nos traz uma paz que nos sacode, nos tira do lugar de sossego e comodismo, pois nos faz enxergar o Cristo que sofre e morre nos nossos irmãos mais necessitados. Como bem nos disse São Paulo, “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso Espírito”. (Rm 12, 2a) Desta maneira, a ação na sociedade nada mais é que um fruto natural da experiência do verdadeiro amor, segundo o esquema:
  
EXPERIÊNCIA PESSOAL   ------   INCOFORMIDADE  ------    AÇÃO

Questões práticas:
1) Onde realizar esta ação?  A resposta a esta primeira questão prática é olhar o contexto ao redor do GPP e observar trabalhos que já são realizados na paróquia na qual o grupo se situa ou nos movimentos (RCC e outros) e pastorais. Assim, pode-se somar forças a este grupo que já realiza algum trabalho social em vez de começar do zero. Caso se opte por começar um trabalho novo, deve-se certificar que esta decisão não reflita o individualismo do grupo e sim dê uma resposta a uma demanda do contexto ao redor do grupo. Outro aspecto importante é ter um público-alvo específico e objetivos bem definidos.
2) Quando começar a ação? Para se responder a esta questão, deve-se primeiro ter certeza de que o quesito “escuta” foi devidamente considerado para se haver comunhão com Deus e dos membros do GPP entre si. Antes de inciar o trabalho, é também importante fazer uma avaliação crítica das condições reais (mínimas) que o grupo tem para realizar a ação a qual ele se popõe. Isto é crucial pois é desumano iniciar um trabalho e, logo depois, interrompê-lo abruptamente, sem que outro grupo ou o poder público o assuma, pois isso pode deixar a comunidade antes atendida em situação até pior do que aquela existente antes do início do trabalho. Ou seja, é preciso que haja profissionalismo nas ações.
3) Como implementar uma ação social? Esta etapa possui alguns passos que devem ser seguidos para uma boa execução da ação:
- Primeiro deve-se conhecer bem as demandas do contexto social no qual o GPP se insere. Para isso, deve-se fazer visitas periódicas e conviver com a realidade em questão.
- Depois, deve-se elencar prioridades através de entrevistas com o público-alvo da ação a fim de que se conheça as suas necessidades.
- Os objetivos da ação devem ser muito bem definidos.
- Deve-se desenvolver estratégias para se atingir aos objetivos propostos por meio de um planejamento sistemático das ações.
- Daí, vem a execução da ação, que consiste em uma implementação da rotina de atividades do grupo na comunidade visada por esta ação.
- Depois da realização de cada ação, deve-se avaliar se os objetivos foram alcançados. Caso o planejamento não venha sendo bem cumprido, deve-se propor mudanças para se melhorar a ação.
Este ciclo exposto acima deve ser repetido sempre para que a equipe organize bem as suas ações. O profissionalisomo exigido nas ações engloba também atividades de capacitação para casos nos quais o GPP vai atuar em uma área na qual os seus membros não tenham uma formação específica e esta seja necessária. A capacitação para uma dada ação pode, inclusive, ser tema de formação dos encontros do GPP.
            A ação social não deve ser mero assistencialismo de modo que o público atingido seja capacitado para se emancipar quando possível. O ideal é que a ação social do GPP complete as ações governamentais e não as substitua, de modo que com a interrupção da ação do GPP, a população não fique desatendida. Um exemplo prático para que este aspecto fique claro é: se o GPP faz um trabalho social em uma escola municipal, os resultados deste trabalho devem salientar a importância de se ter um assistente social na escola. Assim, o grupo deve solicitar que a prefeitura assuma seu papel quando possível para que o grupo possa atuar em outra demanda do contexto social.

Abaixo o Texto Base do GPP na íntegra:

View more documents from ThiagoDilascio

Nenhum comentário:

Postar um comentário