O Documento de Aparecida é um texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada entre os dias 13 a 30 de maio de 2007, no Brasil, na cidade de Aparecida do Norte, São Paulo. Essa V conferência “dá continuidade e, ao mesmo tempo, recapitula o caminho de fidelidade, renovação e evangelização da Igreja latino-americana a serviço de seus povos, que se expressou oportunamente nas Conferências Gerais anteriores do Episcopado (Rio, 1955; Medellín, 1968; Puebla, 1979 Santo Domingo, 1992).” (Documento de Aparecida, p.12, 2008)
Seguindo o método “ver, julgar e agir”, o Documento de Aparecida é dividido em três partes: (i) A vida de nossos povos de hoje, que retrata (ver) a nossa realidade; (ii) A vida de Jesus Cristo nos Discípulos Missionários, que é uma parte mais reflexiva (julgar), e (iii) A vida de Jesus Cristo para nossos povos, que contém certas indicações de como estar a serviço da comunhão plena (agir).
Todo o sentido do Documento está centrado naquilo que Jesus nos revela “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6) Todos os discípulos (Bispos, Diáconos e Leigos) devem buscar o encontro pessoal com Jesus. Não se torna um cristão, simplesmente por uma moral, um ensinamento, mas, por causa de um encontro pessoal com uma pessoa, Jesus.
E como podemos fazer esse encontro com Jesus?
De diversas maneiras, através, da Palavra; da oração pessoal, ao acordamos pela manhã, já devemos entregar e pedir o Senhor que nos abençoe naquele dia; da oração comum, quando nos reunimos com nosso grupo para louvar e agradecer a Deus; da oração comunitária, quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, lugar primordial de encontro com Jesus.
O encontro dos discípulos com Jesus na intimidade é indispensável para alimentar a vida comunitária e a atividade missionária. Atualmente, estamos vivendo uma cultura de um individualismo religioso. Nossos domingos têm se tornado um dia para passear no shopping, consumir. Lembremo-nos que a nossa fé em Jesus nos foi apresentada pela comunidade eclesial. Ela é nossa família universal. Como nas primeiras comunidades cristãs, hoje também nos reunimos frequentemente para ouvir os ensinamentos, tomar parte do pão e orarmos, por isso, a missa dominical é indispensável na vida do Cristão.
O Documento de Aparecida destaca o discipulado e a missionariedade. O que é ser discípulo? Discípulo é aquele que aprende. Assim, aprendemos com Jesus, nosso mestre. O primeiro capítulo do Evangelho de São João narra que Jesus passou por André e João. Os dois ficaram curiosos sobre Jesus. Também nós devemos ser curiosos pelas coisas de Deus. André e João resolveram então seguir Jesus, permanecer com Ele. Nós também devemos permanecer em nossas comunidades eclesiais para madurecermos na fé. “Com as palavras do papa Bento XVI, repetimos com certeza: ‘A Igreja é nossa casa! Está é a nossa casa! Na Igreja Católica temos tudo o que é bom, tudo o que é motivo de segurança e Vida, em sua totalidade, tem garantida a paz e a felicidade, nesta e na outra vida!” (Documento de Aparecida, p. 115, 2008)
Ser discípulo é também ser missionário. Jesus, no início de seu ministério, escolhe os doze para viver em comunhão com Ele. (Mc 3,14) E, envia-os para missão: levar a todo mundo a salvação trazida por Ele. (Mc 6, 7) Contudo, o chamado não parou com a eleição dos doze, mas, continua até nos dias de hoje, ou seja, somos chamados a continuar essa missão pelos sacramentos do batismo e do crisma.
Nós que constituímos a Igreja devemos ser uma “comunidade missionária”, isto é, evangelizar os homens e as mulheres no ambiente onde estamos inseridos. Devemos ser também uma “comunidade de amor” e uma “Igreja Samaritana” (Lc 10, 29-37). Assim como o Bom Samaritano encontrou e cuidou do seu inimigo ferido por assaltantes, devemos ser acolhedores, misericordiosos, cheios de caridade com todos os irmãos da nossa comunidade, mas, também com aqueles que não são. Precisamos também ir ao encontro daquele irmão batizado que se afastou da comunidade, e trazê-lo de volta.
Todos os discípulos missionários têm uma vocação específica. Existem aqueles que são chamados a servir como Bispos, diáconos, religiosos e outros como leigos. Qual é a missão do leigo? O documento (2008, p.102) destaca que “sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, eles contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho”. Seu campo de atuação é “o complexo mundo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia, assim como as esferas da família, da educação, da vida profissional, sobretudo nos contextos onde a Igreja se faz presente somente por eles.” Assim, nós do MUR não podemos perder de vista nossa missão de evangelizar, a partir da experiência do batismo no Espírito Santo, os universitários e profissionais, a fim de construímos aqui na Terra o Reino de Deus, a civilização do amor.
Fotos da visita do Bispo Dom Célio ao GPP no dia 30 de agosto de 2011, após uma partilha sobre o Documento de Aparecida.


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