quarta-feira, 11 de maio de 2011

Leitura Orante: Epístola aos Coríntios

Após a leitura dos Atos dos Apóstolos, nós do GPP JPII lemos as duas cartas de São Paulo aos coríntios. A primeira delas é um diálogo à distância entre Paulo e a comunidade fundada por ele com a principal finalidade de pôr fim aos partidarismos e de consolidar a base da vida cristã: a fé na ressurreição de Cristo. Quanto aos partidarismos, Paulo advertiu aos coríntios a não criarem contendas entre si, dizendo ser de Cefas, de Paulo ou de Apolo, conforme aquele que os tivesse batizado, afinal todos eles eram de Cristo. Ele também enfatizou a loucura da cruz por meio da qual Deus quis salvar a todos que cressem, gloriando o que nesse mundo não tem valor e desprezando o que este mundo gloria. Paulo salientou não ter-se valido dos recursos da oratória, mas ter sido movido pelo poder do Espírito Santo em suas pregações, afinal é através do Espírito que Deus se revela a nós.

Algumas notas sobre as cartas.

No Cap. 3, ele fala sobre a função do pregador que pode plantar e regar a semente, mas que só Deus a faz crescer. Paulo fala também que, embora os pregadores possam ser arquitetos, apenas Cristo é o alicerce verdadeiro. Depois, ele esclarece que dos administradores dos mistérios do Pai só se espera fidelidade, pois o julgamento cabe a Cristo que, quando vier revelará os projetos dos corações, dando a cada um conforme tiver merecido. Ele deixa sempre explícito a importância da humildade, dizendo “quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 1, 31). No caso de incesto que houve na comunidade, (de um homem vivendo conjugalmente com a sua madrasta) Paulo aplica a excomunhão, explicando que, como é pelo fogo que somos provados, ser permissivos com o mal é como colocar fermento sobre a iniquidade. Ele também os exorta a resolverem dentro da própria comunidade os seus problemas pessoais e não em tribunais gregos e a valorizar a castidade, já que o pecado sexual castiga o nosso próprio corpo, que é templo de Deus, advertindo-os a não se deixarem dominar pela liberdade, mas a serem verdadeiramente livres em Cristo. 

No Cap. 7, há recomendações sobre o casamento (sua indissolubilidade, a necessidade de comum acordo entre casais e a preferência em se permanecer solteiro ou viúvo, se possível) e sobre o celibato (opção preferencial pra quem quer se dedicar integralmente a Deus). Uma reflexão bonita feita por Paulo e que é atual ainda hoje é sobre o fato de que aquilo que entra pela nossa boca não nos aproximar ou afastar de Deus, mas que devemos ser cuidadosos com nossas atitudes, pois elas refletem nossa fé e podem induzir nossos irmãos mais fracos ao pecado. Ele os exortou a ter disciplina para alcançarem a coroa incorruptível da salvação, mirando-se no exemplo dele que, espontaneamente, abriu mão de se casar e do direito de não trabalhar a fim de não criar empecilhos ao anúncio do Evangelho. No cap. 12, Paulo fala das diversas manifestações do Espírito e de que assim como há diversidade de dons, todos os cristãos, por mais diferentes que sejam entre si, fazem parte de um mesmo corpo que é Cristo. Por fim, ele conclui dizendo que ninguém deve se sentir pequeno demais na tarefa de construir o Reino de Deus, pois o maior dos dons é o amor-caridade. Paulo explicou a superioridade da profecia em relação ao dom de falar em línguas, pois a profecia edifica aos outros também e não só a nós mesmos. Foi enfatizado o primado da ressurreição de Cristo sobre todos os demais elementos de nossa fé, pois foi através da sua morte, Cristo conquistou a salvação para todos. Paulo finalizou essa carta, estabelecendo uma coleta para Jerusalém (uma espécie de dízimo), deixando claro que todas as nossas ações devem se inspirar no amor. 

Já na sua 2ª carta, Paulo fala que o consolo que recebemos de Cristo em nossas aflições, deve nos levar a consolar os nossos irmãos que também sofrem e também que as dúvidas quanto ao seu retorno a Corinto se deviam ao fato de seus planos se basearem apenas em razões humanas, mas que em Cristo, há apenas o SIM, pois Ele é a garantia de todas as promessas feitas pelo Pai. Ele enfatiza que o Espírito Santo derramado em nós é que nos recomenda uns aos outros e que o véu da condenação que existia na Lei de Moisés foi retirado em Cristo. Paulo fala também da sinceridade da pregação que é feita em nome de Cristo, pois foi Deus quem quis que fôssemos luz no mundo. Ele fala que trazemos este grande tesouro (que é Cristo) em vasos de barro (nós mesmos) para que todos saibam que este poder vem de Deus e não de homens. Paulo lembra que a tristeza segundo Deus (como nas suas advertências aos coríntios) produz arrependimento e gera salvação. Novamente, ele falou aos coríntios da importância deles serem coerentes com tudo aquilo que eles recebiam de Deus quando eles fossem dar seu auxílio para a igreja de Jerusalém, o que é válido para nós ainda hoje. Ele finaliza a carta, explicando que é na fraqueza (vivendo da graça de Deus e não da presunção humana) que o homem se realiza. 

ORAÇÃO (baseada em 1Cor 8): “Senhor, pelas palavras de Paulo, eu vejo que o conhecimento incha, só o amor é que constrói e percebo que quando penso conhecer bem uma coisa, ainda não sei como a devo conhecer, mas que, se eu te amo, o Senhor me conhece. Então, Pai, eu lhe peço que me esvazie de toda a presunção do conhecimento e que acolha o meu amor por ti, para que vós, conhecendo-me, ajude-me a fazer o que é bom na construção de seu Reino. Pela poderosa intercessão de Maria e em nome de Jesus Cristo, eu te peço. Amém”

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