Nos dias 20 e 21 de novembro de 2010 foram realizados aqui em São João Del-Rei os eventos Encontro Diocesano Universidades Renovadas (EDUR) e o Encontro Diocesano de Profissionais (EDP). O tema que norteou esses dois encontros foi a pesca milagrosa narrada no evangelho de São Lucas (Lc 5, 1-11), na qual Jesus exorta seus discípulos: “Avançai para águas mais profundas e lançai as redes.” Nesses encontros ficou claro para nós que Jesus chama a todos a confiar Nele e ousar ir mais para o fundo, uma vez que ao abrirmos voluntariamente mão do controle que julgamos ter sobre nossas vidas, permitimos a ação de Deus sobre nós. A seguir descreveremos sucintamente alguns momentos marcantes de nossa participação no EDUR/EDP.
No início do EDUR, fizemos um louvor repleto de alegria unindo GOU’s e GPP’s “em um só coração”, louvando a Deus por todas as graças que Ele derramou sobre o MUR e sobre nossas vidas durante o ano. Depois os participantes dividiram-se entre membros dos GOU’s e profissionais para que pudéssemos nos aprofundar nas questões mais relevantes para a realidade de cada um desses grupos.
Nós dos GPP’s iniciamos nossas atividades com uma pregação do Leandro, de BH, o nosso representante estadual. Primeiramente, ele falou sobre o evangelho-tema do encontro, Lc 5, 1-11, destacando dois pontos. O primeiro deles foi a sede de Jesus em anunciar o Reino de Deus, inserindo-se na realidade do povo para isso. O segundo ponto abordado foi o fato de que Pedro e os demais pescadores fizeram o que sempre faziam e haviam feito a noite toda sem sucesso, que era pescar, mas após o encontro com Jesus, eles lançaram as redes guiados pela voz de Deus e, então, tiveram êxito. Disto, compreendemos que a obediência aos ensinamentos de Deus dá frutos.
Após a pregação, Leandro salientou cinco aspectos que devem ser considerados para que nós, enquanto MUR, avancemos para águas mais profundas, os quais são:
1°. Comprometimento: só nos comprometeremos realmente se conhecermos o sonho. Para enfatizar, ele contou uma historinha para contextualizar este ponto. Um cachorro começou a correr atrás de um coelho e após um tempo, vários outros cães começam a seguir o primeiro, correndo e latindo, mas sem saber o porquê de correrem. Com o passar do tempo, um a um todos os cães, exceto o primeiro deles, desistem, pois só o primeiro cachorro via o coelho. Assim somos nós: precisamos conhecer o sonho de amor de Deus de levar Jesus e seu Evangelho a todos os universitários para correr atrás do necessário para realizá-lo.
2°. Missão: Saber ouvir a que e para que Deus nos chama, certos de que Ele nos dará unção para realizar a sua vontade. Lembrar que o chamado é pessoal, pois cada um de nós é único para Deus.
3°. Pastoreio: Como resposta ao amor que recebemos de Jesus, devemos cuidar, apascentar as suas ovelhas. Para isso, devemos nos inserir na realidade do outro, assim como Jesus fazia, para ajudá-lo em suas necessidades.
4°. Liderança: Para cuidar em manter vivo o sonho nos membros e para coordenar ações. Ele enfatizou a necessidade de uma formação continuada das lideranças frente aos novos desafios que o nosso tempo impõe.
5°. Comunicação: É necessário para que os membros de um mesmo GPP e entre dois ou mais GPP’s planejem ações conjuntas e alcancem a unidade.
Depois, ocorreram dois workshops. O primeiro denominado “Trindade, modelo de comunidade e missão” foi dado pelo Mário, um membro do nosso GPP. Ele começou com a leitura de Lc 1, 30-36 na qual é narrada a anunciação do anjo Gabriel à Maria. Para ele, Maria é o modelo de comunhão plena com a Santíssima Trindade, uma vez que ela é a Filha amada de Deus Pai, a Mãe admirável de Deus Filho e a Esposa fidelíssima do Espírito Santo.
Após essa introdução, o Mário falou sobre o fato da Trindade permear toda a Sagrada Escritura, desde o livro de Gênesis, no qual Deus fala na 1ª pessoa do plural: “Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança...’’ (Gn 1, 26). Das três pessoas da Santíssima Trindade, o Espírito Santo é a menos palpável, a mais misteriosa, sendo descrito na Bíblia como aquele que cria todas as coisas, estando presente nos três grandes mistérios da nossa fé, que são a encarnação de Jesus, a sua ressurreição e a Eucaristia.
Depois, ele explicou o mistério da Trindade segundo Padre Pio, que usa a analogia de se fazer um bolo, misturando-se ovo, farinha e leite e obtendo-se uma coisa única, mas ao mesmo tempo, mantendo as propriedades individuais de cada um dos ingredientes. A imagem abaixo da Trindade mostra Jesus e o Espírito Santo voltados para Deus e Deus voltados para eles. Eles estão sentados à mesa e apenas Jesus (ao centro) e o Espírito Santo (à direita) tocam a mesa, simbolizando que é através deles que Deus intervém no mundo. Nas roupas de Deus e do Espírito Santo há apenas as cores azul (simbolizando a divindade) e dourado (simbolizando a realeza). Só Jesus tem a cor marrom (simbolizando o pecado) em seu traje, já que Ele “abraçou” todo o pecado do mundo em amor a nós.
Mário retratou a Sagrada Família, Maria, José e Jesus como modelo de Trindade e também a própria reprodução humana, na qual Deus usa o próprio homem (e a mulher também) para criar a nossa imagem e semelhança de Deus. Finalmente, ele concluiu falando das primeiras comunidades cristãs que eram um modelo trino, contemplando oração, união e missão, através do qual Pedro converteu 3000 judeus (os mesmos que haviam matado Jesus) após Pentecostes. Ele terminou deixando duas perguntas relacionadas ao chamado que este encontro nos faz:
- Para qual água Deus chama a cada um de nós?
- Que peixe Deus quer que pesquemos?
Sagrada Família e nossas famílias: modelos de Trindade Santa.
Após uma rápida reflexão, a Gabriela, de Lavras, iniciou seu workshop sobre o “Profissional do Reino: Dignidade, humanidade, equilíbrio e desafios”. Ela começou com Jo 14, 6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, palavras de Jesus a Tomé que nos levam a escolher entre permanecer sentado à margem do caminho ou seguir a Jesus. Depois, ela enfatizou que para mudar o mundo, precisamos começar por nós mesmos.
Sobre a nossa dignidade, Gabriela disse que o que nos torna dignos é o fato de sermos filhos de Deus e que nossa humanidade foi justificada pela morte de cruz de Jesus, na qual Ele nos redimiu do pecado. Depois sobre a dificuldade em viver plenamente nossa dignidade de filhos de Deus, frente nossa tendência ao pecado, ela apresentou Rm 7, 19-26 na qual Paulo fala que apenas através de Jesus somos libertados de nosso “corpo de morte” (devido ao pecado).
“Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Em suma: pela minha mente sirvo à Lei de Deus, mas pela carne sirvo à Lei do pecado”. (Rm 7, 24-25)
Por fim, Gabriela nos deixou para reflexão a frase: “Há dois cães dentro de nós: um bom e outro mal. Aquele a que mais alimentamos, torna-se o maior.” Ou seja, precisamos buscar fazer o bem, perseverar nas boas obras para que a luz de Deus brilhe em nós e através de nossos atos Deus possa iluminar o mundo verdadeiramente.
Após tantas graças que recebemos neste sábado, concluímos a noite com um animado luau no qual além de muita boa música, frutas e alegria, fechamos a noite com um círculo para orarmos juntos agradecendo a Deus pela nossa união e pela sua unção.
No domingo, tivemos um belo louvor para começar, seguido de um momento forte de oração conduzido pelo Willian, no qual agradecemos por tudo o que recebemos de Deus, pedimos um direcionamento a Ele e clamamos pela unção do Espírito que nos fortalece na missão.
O Everton, atualmente em BH, concluiu o EDUR com mais uma pregação sobre a pesca milagrosa (Lc 5, 1-11). Ele disse que os pescadores se espantaram com a quantidade de peixes que pescaram, ou seja, não estamos prontos para a abundância que Deus quer nos oferecer, não abrindo espaço para a ação do Pai naquilo que julgamos saber fazer. É como se disséssemos a Deus: “Senhor, faça milagres. Isto eu sei fazer.” Ele centralizou nossa missão nessa passagem, na qual as universidades seriam as águas profundas, visto que se criou uma barreira quase intransponível entre Deus e o conhecimento, quando na verdade é Deus que nos permite conhecer e aprender. Enquanto os universitários seriam os peixes grandes, já que serão os profissionais do futuro.
Segundo ele, lançar redes em águas mais profundas é evangelizar, pregar na universidade, enfatizando a importância do kerygma (primeiro anúncio). Mas ele foi além e lembrando João 21, na qual há um relato de outra pesca milagrosa (esta tratando-se de uma aparição após a ressurreição de Jesus), ele ressalta o que Jesus disse a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”. Ou seja, não basta pescar (apresentar o caminho que é Jesus), como missionários devemos cuidar das ovelhas perdidas de Jesus que “pescamos” para que elas não se percam, perseverando e, então, dando frutos. Jesus nos dá o necessário em abundância e nos pede que, em resposta ao seu amor, cuidemos de suas ovelhas.
O Everton também enfatizou que como servos e líderes do MUR precisamos de humildade para reconhecer que Deus nos escolheu não porque somos bons, mas para que Ele nos forme para a missão para a qual fomos designados. Para concluir, ele traçou um paralelo entre o pescador e o missionário, pois o pescador não sabe o que virá quando lança suas redes, recebendo tudo gratuitamente do mar. Da mesma forma, nós como missionários temos poucos instrumentos, não sabemos o que vamos pescar e colhemos o que não plantamos. Assim como ninguém alimenta um peixe antes de pescá-lo, é Deus que, por sua graça, nos dá os irmãos. Ele finalizou dando-nos dois exemplos: Pedro que era pescador e tornou-se um grande pregador, pois Deus o formou para ser um pescador de homens e Davi que se tornou um grande rei porque ele havia sido pastor de ovelhas e, então, soube cuidar de seu povo.
Em suma, reanimados pela certeza de que Deus nos chama a usar o que somos e sabemos para apascentar suas ovelhas, nos capacitando para isso, podemos buscar a concretização deste sonho de amor para o mundo, que é o MUR, começando por nossos ambientes de trabalho e universidades, pois como é dito em Isaías 49, 5-6: “Ele que desde o útero me vem formando para que eu seja seu servo, disse quero fazer de ti uma luz para as nações para que a minha salvação chegue até os confins da terra.”
"Precisamos nos tornar árvores enraizadas em Deus, sustentadas por Cristo e movidas pela seiva do Espírito Santo. Só assim, produziremos frutos concretos!"
Referências:
Bíblia Sagrada, Edição CNBB
http://universidadesrenovadassm.blogspot.com/2008/11/um-sonho-de-amor-para-o-mundo.html)
Nathália Fernandes Carvalho
GPP João Paulo II







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