O diálogo é o quarto pilar do GPP e adquiriu grande importância dentro da Igreja especialmente após o Concílio Vaticano II. A Igreja percebeu que durante o período em que esteve afastada da sociedade, o homem acabou afastando-se de Deus. Essa separação do homem de Deus foi entendida como uma resposta ao distanciamento entre a Igreja e a sociedade, com as muitas excomunhões, a Inquisição e a proibição de livros, características da Idade Média. Afinal, a Igreja é o Corpo de Cristo, de quem Ele é a cabeça, logo, afastando-se do Corpo também nos distanciamos da Cabeça.

Para evitar essa separatividade que resultou em perdas para ambos (homem e Igreja), o Concílio Vaticano II propôs uma abertura ao diálogo entre Igreja e sociedade a fim de somar, agregar valores e pontos de vista e não simplesmente confrontar idéias para optar pela melhor. Afinal, aspectos diferentes de uma realidade são geralmente complementares e não excludentes. Um exemplo claro disso é a dicotomia entre a fé e a razão. Visões estreitas baseadas nos princípios da discussão diriam ser essas duas ordens irreconciliáveis, entretanto, no diálogo, o princípio é outro: queremos saber o que a fé e a razão pensam sobre o mundo e não comparar suas visões, elegendo uma que melhor responda às nossas necessidades. Assim, como fé e razão tratam aspectos distintos de uma mesma realidade, a idéia do diálogo é somar esses diferentes pontos de vista e assim unir as pessoas em vez de segregá-las. Como dizia São Tomás de Aquino: “A luz da razão e a luz da fé provém ambas de Deus, por isso, não podem se contradizer entre si.”

O MUR surgiu dentro da Igreja em resposta ao apelo do papa João Paulo II em sua encíclica “Fides et ratio” pelo diálogo entre a razão e a fé. Então, diante desse cenário, o GPP que é um membro do MUR, deve atender profeticamente a esse chamado de ser um instrumento para criar pontes entre a sociedade e a Igreja. A ciência que aprendemos na Universidade é uma obra humana que só foi possível pela misericórdia divina que nos capacitou para entender alguns aspectos do mundo que Ele criou. Como seres dotados de razão, devemos compreender que a nossa descrição do mundo é sempre limitada e que por melhor que ela seja, sempre se adapta ao mundo e não o contrário. Já a Igreja, que é constituída de homens, também tem suas limitações, mas, ao somar suas visões de mundo, podemos ver além do que nos seria permitido através de uma visão única.
Assim como profissionais do Reino de Deus devemos realizar em nossa vida cotidiana essa missão conciliadora de somar o que antes estava separado pelas teias da ignorância que nos prendem em visões parciais de um todo, que só pode ser compreendido quando somamos o que dispomos harmoniosamente. Foi o próprio Jesus que disse: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte, nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5, 14-16). O diálogo do GPP com a sociedade permite que sejamos “luz no mundo” através do quinto pilar do GPP que é a ação na sociedade.

Do ponto de vista prático, o diálogo pode ser concretizado por meio de trocas de experiências e partilhas dentro dos GPPs, o que é uma realidade em nosso grupo. Uma vez existindo o diálogo entre os membros do GPP, deve-se ampliar as suas fronteiras para um diálogo com todo o MUR a fim de que conheçamos uns aos outros, os projetos, os sonhos. Isso evita desperdício de tempo e recursos separadamente em atividades pelos quais ambos se interessem, a acumulação de funções em poucos membros, dentre outros problemas. Depois do diálogo entre GPP e MUR, deve-se pensar no diálogo do GPP com toda a RCC e por fim, com toda a Igreja. Mas esse é apenas o primeiro âmbito do diálogo: na Igreja entre os seus membros. Para que o diálogo dentro da Igreja seja efetivo, é preciso que o GPP conheça o planejamento da RCC e do MUR antes de fazer o seu para que haja consonância entre nossas ações e possamos nos ajudar mutuamente em projetos comuns. Para tanto, sugere-se:
· Organizar reuniões periódicas presenciais ou virtuais entre o GPP e os coordenadores do MUR;
· Convidar os coordenadores do MUR para conhecer o GPP ou realizar uma formação, participar de uma partilha;
· Com relação à RCC, o GPP deve procurar participar de seus eventos em nível diocesano e de suas formações.

O segundo âmbito é o diálogo entre a Igreja (agora coesa pelo diálogo interno) e a sociedade em geral. Só através do diálogo que podemos conhecer a realidade e necessidades da sociedade e assim como Igreja agir para melhorar esse cenário. Como profissionais do Reino, os membros do GPP podem contribuir para esse intercâmbio de idéias, demandas e sonhos entre a Igreja e a sociedade pedindo sempre a Maria que interceda por nós, como a verdadeira ponte que nos une a Deus, mediando assim também o nosso diálogo com o outro para que possamos ouvi-lo, respeitando as nossas diferenças e sendo solícitos às suas necessidades.
Nathália Fernandes Carvalho
GPP João Paulo II
Referencias
Comissão Nacional de Profissionais. Texto Base: Grupos de Partilha de Profissionais. Revisão 1 - Abril de 2010
Bíblia Sagrada - Edição CNBB
Diálogo é também um exercício de humildade, é saber que sozinho nada é possível. Precisamos aprender a trabalhar em rede. Muito bom o texto Nathy, parabéns!
ResponderExcluirOi meninas! Muito lega podemos ter aqui um resumo dos cinco pilares... Obrigado pela disponibilidade de vocês! Abraços
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